A inserção igualitária da mulher no mercado de trabalho é uma pauta que há anos vem sendo discutida e que alcança pequenas vitórias todos os dias, mas ainda é uma realidade precária e triste – e a situação não é diferente no ramo da publicidade. De acordo com pesquisa realizada em dezembro de 2016, pela Meio e Mensagem, menos de 20% das mulheres estão no setor de criação e menos de 6% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres.

Isso reflete também nos conteúdos produzidos e nos comportamentos perpetuados dentro dos ambientes de trabalhos. Felizmente, o empoderamento feminino tem crescido nos últimos anos e a realidade pode aos poucos ser modificada. Ouvimos as nossas colaboradoras, que relataram como foram e estão sendo suas experiências no mercado da publicidade e que tipo de mudanças elas enxergam na área.

Eu sabia desde o começo que não iria encontrar muitas mulheres na área de Direção de Arte quando percebi que era com isso que eu queria trabalhar. E de fato, a realidade é essa mesmo. Quanto ao machismo, posso dizer, ele está aí sim, em toda parte, e na publicidade não é diferente. Em um ambiente genérico de agência que, em tese, é diversificado, acolhedor e de mente aberta, ele também existe, de forma silenciosa, sutil, se esgueira entre um “foi você mesmo que fez essa arte? Mas ela está tão legal” e outro “deixa que ele faz, acho que você não tem o feeling pra essa conta ainda”. Pode passar despercebido tanto por quem fala esse tipo de coisa como por quem escuta (no caso nós, mulheres, que acabamos relevando, achando que o tom de preconceito nessas frases só está na nossa cabeça).

Eu tive a sorte de trabalhar em lugares que não me fecharam as portas por eu ser mulher, mas sei que isso não acontece com todas. Tive a sorte também de até conhecer e trabalhar com uma mulher no mesmo cargo que eu. Escutei muitos comentários desagradáveis sim, não diretamente sobre a qualidade do meu trabalho, mas por eu ser mulher e (para a surpresa de muitos) desempenhar bem a minha função dentro de uma empresa. Cansa ter lidar com essas pequenas coisas, desmotiva. Mas mulher é como é, não se deixa abater, acha forças até onde não tem e dá sempre o seu melhor. Hoje estou cercada de gente talentosa e criativa, cercada por mulheres incríveis e profissionais inspiradoras, trabalhando com o que eu amo e sendo reconhecida por isso: não há nada mais gratificante.

“Jogue um charme, fale manso, conquiste ele se for preciso, você é mulher sabe o que fazer”. Foi assim que descobri que a minha competência para coletar dados e buscar fontes valia muito menos do que o meu “charme feminino”. Eu tinha 20 anos, era o meu primeiro estágio, estava absolutamente deslumbrada com o fato de poder atuar na área que escolhi. Felizmente, no mesmo ambiente cercado de machismo, conheci uma mulher sensacional, que me mostrou o poder de não ficar calada.

E assim tem sido a minha caminhada desde que resolvi me desligar daquela empresa; durante dois anos de inserção no mercado da comunicação, enfrentei e enfrento diariamente pequenos fantasmas que me subjugam enquanto jovem mulher, mas também tive a oportunidade de conhecer, apoiar, aprender e ser inspirada por inúmeras outras mulheres. Tive a honra de ter como chefes mulheres com visões inovadoras, que transbordam profissionalismo e empatia.

Hoje, trabalhando em uma empresa que não só confiou no meu trabalho, mas que o valoriza, vivenciando um ambiente no qual me sinto segura enquanto mulher, posso afirmar que há esperança. Para hoje, e para o futuro, eu só espero que cada vez mais as mulheres juntem-se e apoiem-se na luta contra tudo o que nos coloca abaixo do que realmente somos e do que somos capazes de fazer, e que possamos nos orgulhar cada vez mais das vitórias de cada uma. Juntas somos maiores.

Entrei nessa jornada há 1 ano, onde consegui meu primeiro emprego na área, infelizmente me deparei com questões muito delicadas em relação ao posicionamento das mulheres no mercado de trabalho, e vivi experiências desagradáveis em relação a ser silenciada ao expor minhas opiniões ou quando conseguia, eram simplesmente ignoradas.

No início eu achava que o mercado publicitário era um dos que menos tinham esse tipo de problema, por se tratar de um ambiente mais descontraído e consequentemente teriam a mente mais abertas, porém como qualquer outra área ainda sofremos esse tipo de preconceito. Acredito que a nossa geração está debatendo mais e lutando a cada dia para reverter essa situação. Sonho em ser reconhecida pelo que eu faço e acima de tudo ser respeitada em qualquer lugar

Sou gerente geral da Social Soma há mais de dois anos. Basicamente sou a pessoa que resolve tudo que precisa ser resolvido, sendo minha área de expertise, o setor administrativo financeiro.

Sou a pessoa que responde pela agência, além de mulher, não sou formada na área de comunicação e, para completar, tenho aparência jovem. Pode parecer exagero, mas esses 3 fatores juntos são capazes de mobilizar um intenso sentimento de desconfiança sobre a qualidade de meu trabalho.

A Social Soma é minha segunda casa, ou talvez a primeira, e tenho orgulho de dizer que dentro das paredes da empresa não há nenhuma diferenciação entre homens e mulheres. Porém, seria impossível não sofrer respingos do machismo no cotidiano de trabalho.

Já escutei de cliente que eu deveria resolver determinado problema com a secretária, pois ele disse “não faço negócio com mulheres”. Embora eu saiba que o machismo existe quando ele bate assim, nu e cru, ainda fico sem reação. É uma batalha diária desconstruir essa ideia que os homens são os mais preparados para cargos de gerência ou cargos relacionados ao setor comercial.

Fico extremamente feliz em ver empresas levantando a bandeira a favor das mulheres. Mas precisamos lembrar que apenas escrever frases bonitinhas, desejar parabéns, distribuir chocolates ou flores no dia 8 de março não mudam o fato que, cotidianamente, mulheres sofrem diversas formas de assédio no ambiente de trabalho. Que o apoio das empresas não seja apenas jogadas de marketing ou fachada, que exista uma política interna de valorização, que leve em consideração as potencialidades de cada profissional, independente do gênero.

Então minha pergunta vai para você gestor: o que você tem feito para proporcionar a igualdade de entre homens e mulheres na sua empresa?